Uma grande fonte de poder para perfis inseguros
A essa altura do nosso relacionamento, provavelmente você já percebeu que sou do tipo de pessoa que gosta de planejar. Tudo! Festas, viagens, férias, simples finais de semana…… A vida!
No meu planejamento de vida sempre esteve a maternidade, 2 filhos para ser exata, porque acho importante ter um irmão para enfrentar as descobertas, as delícias e as durezas da caminhada. Mas fui premiada! Cada um dos meus filhos não tem um único irmão, porque recebi a dádiva de viver uma transformadora gravidez gemelar de alto risco quando decidi ter o segundo filho.
Há quem diga que ser planejado é um ponto forte. Dependendo do tipo de trabalho que se tem, de fato é, mas nos outros aspectos da vida é um tanto exaustivo e potencialmente frustrante. Porque na realidade nua e crua, nada, absolutamente nada está sob nosso controle.
Minha vida seguia “dentro do plano” até eu engravidar pela segunda vez.
Primeiro ultrassom desse “second round”, tudo dentro do normal, até que no final do exame o médico paralisa, faz uma careta e pergunta a si mesmo….. Ãhn??? Segundos de grande preocupação se seguem, até ele dizer : “está vendo ali? Outro coração?” Não, eu não via, nem ouvia mais nada. Gêmeos? Como eu daria conta? E meus planos de amamentar exclusivamente até os 6 meses? E meus planos de ter outro parto normal? Não seria possível, como assim? E eu nem sabia que muito antes de chegar a esses pontos de parir e amamentar ouviria do médico as temidas palavras : “gravidez de alto risco”. Lembro de dizer na minha inocência de leiga : “mas doutor, por que alto risco?”
E veio a lista imensa de fatores : você é super pequena (tenho 1,52 de altura), aparentemente os bebês estão na mesma bolsa, aparentemente é gravidez monocoriônica (quando são gêmeos idênticos), o que é bem mais arriscado do que gêmeos bivitelinos que tem cada um a sua placenta, era uma lista de riscos enorme!
Saí de lá e fui fazer o que todos fazemos na era da Internet, pesquisar! E o medo só aumentou, assim como a lista de possíveis riscos e problemas.
Se você está esperando gêmeos, pesquise, mas tenha cuidado para não se impressionar com listas imensas de risco. A informação é importante, quando utilizada a nosso favor.
Os meses foram passando, não fiquei livre de sustos, internei 2 vezes durante a gravidez, mas foram apenas sustos e precaução de um médico absolutamente responsável e experiente! No meio de tudo isso, tive que achar uma forma de encontrar leveza e ela veio muito da meditação! Existem meditações guiadas específicas para grávidas. Naqueles momentos eu me conectava com o que havia de mais sagrado, 2 vidas dentro de mim, 2 corações conectados ao meu, eu apenas conversava com eles, dizendo que tudo estava bem, que podiam ficar tranquilos, mamãe estava aqui, bem, aguardando! Pedia que ficassem o máximo de tempo possível na barriga, para chegarem fortes!
Não foi fácil, nas 2 vezes que internei durante a gravidez, fiquei no andar da UTI neonatal, passar em frente aquela porta, apertava meu coração, eu teria que passar por ela? Meus bebês ficariam ali? Eu iria embora para casa os deixando lá? Chorei muito imaginando essas situações, porque sabia da grande possibilidade que existia, já que estávamos vivendo uma gravidez gemelar de alto risco.
Sempre perguntava ao meu médico qual era minha chance de um parto normal de gêmeos, ele sempre dizia que deveríamos esperar para ver a posição dos bebês quando estivessem bem perto de nascer.
Surpreendentemente, chegamos a 37 semanas, o que já foi uma grande vitória. Na consulta Pré Natal daquela semana, eu e o Doutor conversamos com mais detalhes sobre o parto. A posição dos bebês era excelente, os 2 estavam cefálicos (de cabeça para baixo), eu já estava com 4cm de dilatação, o que também era ótimo!
Meu médico foi muito franco, disse que era uma situação extremamente favorável para um parto normal de gêmeos, mas também me alertou dos riscos.
Poderia acontecer dos bebês se enroscarem um no ombro do outro, o que nos levaria a uma cesárea. Também poderia ocorrer de após nascer o primeiro bebê, o segundo atravessar, pelo espaço que sobrava dentro da barriga. Neste caso teríamos o primeiro de parto normal e o segundo por cesárea, pois não correríamos o risco de tentar fazer nascer um bebê atravessado (risco para mãe e para o bebê). Era uma possibilidade remota, mas existia! E foi muito importante eu saber.
Esta última consulta foi em uma quarta feira, o Doutor disse que não era seguro esperarmos muitos dias mais, combinamos de esperar até o sábado. Se eu não entrasse em trabalho de parto, iríamos internar para induzir e ver como evoluiria.
Voltei pra casa sabendo que o momento estava próximo, apesar de ser mãe de segunda viagem, estava apreensiva, tinha mais receio da cesárea do que do parto normal, no qual eu já tinha experiência.
Apesar da cesárea ser mais “fácil” no momento de trazer os bebês ao mundo, eu tinha muito receio do pós parto. De ter algum problema com o corte, de sentir muitas dores de uma cirurgia tendo 3 crianças em casa para cuidar, sendo 2 delas bebês recém nascidos.
A verdade é que o parto em si me amedrontava, porque a imensa maioria dos relatos de parto de gêmeos que eu li ao longo da gravidez tinham algum porém. Alguma hemorragia inesperada, alguma dor brutal, algum mal estar.
Eu já sentia muitas dores antes de estar em trabalho de parto, estava extremamente pesada, já não conseguia respirar direito. Eu teria força para conduzir um parto normal de gêmeos? Esperar pelos movimentos do corpo, forçar o bebê para baixo no momento expulsivo?
Não seria melhor partir para a cesárea e depois aguentar o pós parto um pouco mais sofrido? Quando eu pensava nisso ouvia novamente a voz do meu médico em minha mente me dizendo o quanto a situação era favorável para um parto normal.
Havia uma enorme dúvida dentro de mim se eu deveria mesmo induzir um parto normal ou partir para a cesárea direto.
Na tarde de quinta feira 18/01/18 sentei na poltrona de amamentação no quarto dos meninos e chorei, sincera e profundamente! Mandei mensagem para o meu marido que estava no trabalho dizendo um pouco do que eu sentia. Ele me respondeu dizendo que ficaria tudo bem, eu já era experiente no assunto. Mas eu sentia um medo profundo, de ter alguma complicação, de morrer até!
Então resolvi recorrer a Deus! Fiz uma das meditações guiadas para gravidez (eu fiz muito isso na gravidez dos meninos para manter a calma). Entrei em um estado meditativo e pedi muito um sinal do que eu deveria fazer, para que ficasse tudo bem comigo e principalmente para que meus meninos chegassem bem e em segurança!
Não ouvi nada, não tive nenhum insight. Mas depois de chorar, meditar, rezar, me sentia um pouco mais leve. Fui tratar de terminar a arrumação da mala da maternidade.
Na madrugada de 19/01 acordei com os desconfortos ja bem conhecidos do final de uma gravidez gemelar, dores nas costas, nas costelas, respiração difícil por estar meio deitada (eu já não conseguia dormir totalmente deitada). Levantei e fui ao banheiro, voltei pra cama sem conseguir dormir de novo, eram 3h30. Por volta das 4h, senti a lombar apertar, uma dor forte que não fazia parte dos desconfortos conhecidos que mencionei anteriormente, passou.
4h15, outra dor na lombar, mais leve que a anterior, lembrei do parto da primogênita que começou exatamente daquela forma. Me emocionei! Seria verdade? Estaria entrando em trabalho de parto, espontaneamente, sem indução, sem eu ter que decidir como seria?
8 minutos depois, outra dor na lombar e depois de mais 8 minutos, outra! Ali tive certeza! Eram meus meninos vindo, era Deus me dando o sinal que tanto pedi! Naquele momento meus medos se dissiparam por completo, não sei explicar o porquê, mas para mim, era Deus no comando! Me dizendo como seria, como que me dizendo para soltar o controle, deixar fluir!
Fui tomar um banho, continuei monitorando as Contrações, que continuaram ritmadas. 5h30 acordei meu marido, as 6h mandei mensagem para o Doutor, que me respondeu prontamente, orientando a ir para a maternidade, sem pressa, daria tudo certo! Como aquela confiança nele me dava segurança!
Esperamos meus pais chegarem para ficar com nossa pequena e fomos! Chegamos na maternidade por volta das 7h15. Me examinaram e eu estava com 5cm de dilatação, internamos! Por volta das 11h o Doutor chegou, pediu um aparelho de ultrassom, queria ver a posição dos bebês naquele exato momento, achei ótimo, eu também queria!
Continuavam cefálicos! Me examinou, eu estava já com 9cm de dilatação, o total são 10cm, estava quase lá! Mas, a cabeça do primeiro bebê (o Vini) estava alta ainda, ele precisava descer para de fato nascer de parto normal.
Decidiram estourar a bolsa do primeiro (eram 2 bolsas, uma para cada bebê), pedi para deixarem o anestesista por perto, pois eu sabia que depois que a bolsa estoura as contrações se intensificam muito, mas o Doutor disse que eu precisaria fazer a força do trabalho expulsivo ainda antes da anestesia, para vermos se o bebê ia descer, se não descesse, poderíamos ter que ir pra cesárea e 2 anestesias em sequência seriam muito ruins para mim!
Veio a primeira contração pós bolsa estourada, fiz força, a dor me partia ao meio, veio a segunda, só 1 minuto depois, senti um tranco, algo grande se movimentando dentro de mim. Cheguei a dizer: o bebê desceu! Mas o Doutor disse pra continuar, fazer mais uma força. Fiz a terceira força, morrendo de dor, lembro de fechar os olhos e ao abrir ver pontos escuros. Achei que ia desmaiar, cheguei a pedir pela cesárea, mas naquele momento, vi o Doutor mandar chamarem o anestesista! Ele olhou para mim e disse: “Sim, o bebê desceu! Vai nascer!”
Iniciamos o processo da anestesia. É um momento em que pedem para o pai sair da sala de parto. Você precisa se sentar, ficar ereta e totalmente imóvel. É difícil, bem difícil quando se está sentindo uma dor tão intensa. Os anestesistas aproveitam os intervalos entre as contrações. Lembro de uma enfermeira já bem experiente, deveria ter mais de 60 anos de idade, se aproximar de mim nesse momento e me dar as mãos.
Ela me olhou bem profundamente nos olhos e me disse para respirar fundo quando a contração começou. Devo dizer que ajudou muito. A dor ainda estava lá, muito forte, mas parecia que eu tinha crescido frente a ela.
Após anestesia as contrações se tornam muito mais amenas, só a dor na costela permanecia, já que a anestesia é somente da cintura para baixo. Mas essa dor eu só sentia porque eram 2 bebês, e o Felipe ainda estava mais para cima. No parto da Juju, após a anestesia eu não sentia nenhuma dor.
Mais 2 forças, Vinicius nasceu! 2710 kg! 47cm! Lindo e enorme para uma gravidez gemelar. Me emocionei demais, foram tantos meses rezando por aquele momento e que estava acontecendo melhor do que eu havia pedido!
Vini veio para o meu peito, naquele mesmo instante, ainda totalmente sujo. Eu senti um alívio imediato do peso na barriga, parecia que tinha tirado uma calça muito apertada. O Vini tentava chorar e parecia se engasgar. A pediatra estava ao lado, disse que era normal, ele só estava com muito líquido na boquinha. O levou para sugar um pouco do líquido. Ele engasgou de vez ali, foram segundos um pouco tensos, pediram para o Rafa se afastar quando o ajudavam a respirar. Eu assistia de longe.
Meu médico me pediu pra não perder o foco nele, tínhamos mais um bebê para fazer nascer! Olhou para mim e disse: “Ele está bem, confia em mim, só está se adaptando a uma nova forma de respirar, preciso de você aqui comigo.”
Em seguida. pediu para a sua auxiliar sentir a cabeça do segundo bebê por cima da minha barriga, ele ainda estava cefálico, estouraram a segunda bolsa, 7 minutos depois do irmão, Felipe nasceu! 2345 kg, 46cm!
Eles vieram ao mundo assim! Em um parto normal de gêmeos!
Fefê nasceu chorando muito! Como aquele som é maravilhoso no momento do parto! No caso dele a pediatra só disse que ele faria um exame para verificar um pequeno inchaço na cabecinha, mas que achavam que era normal, que eu não me preocupasse.
A pediatra que acompanhou o Vini me disse que o levaria para ficar em observação por algum tempo, por conta do desconforto respiratório que teve. Disse que não conseguia me precisar quanto tempo levaria, dependia de como o mocinho se comportaria no ato de respirar. Fiquei um pouco apreensiva.
O Fefê não saiu da sala de parto, tomou seu primeiro banho ali, sua primeira vacina e veio para o meu peito sugar! Cerca de 40 minutos depois o Vini voltou! Com a excelente notícia de que estava saturando 100% e que por isso, também poderia vir para o peito!
Agradeci aos céus mais uma vez, ele veio sugar o peito ainda dentro da primeira hora de vida, chamada Golden Hour. Há estudos que dizem que os bebês nascem com um reflexo muito forte de sugar e que se fazem isso dentro da primeira hora de vida aumentam muito as chances de desenvolver um processo de amamentação mais tranquilo.
Foram os 2 para o quarto junto comigo, 3 dias depois, fomos todos pra casa!
Ao longo de toda a minha gravidez, pesquisei muito na Internet e encontrei muito mais relatos de problemas do que histórias de sucesso. Gostaria que minha história ajudasse outras futuras mães a saber que fazendo um pré Natal adequado com uma equipe médica preparada e em que você confie, as chances de sucesso são imensas mesmo em uma gravidez de alto risco!
Isso quer dizer que agora aprendi e sou uma pessoa que não planeja mais nada porque entendeu que a vida não está sob controle? Não! Não é simples assim!
Padrões comportamentais são altamente complexos e difíceis de serem mudados. Mas sou uma pessoa diferente sim! E toda vez que sofro querendo controlar algo incontrolável, busco me lembrar de como enfrentei esse período da minha vida, de como escutar o meu ser interior, de como confiar minha vida e a dos meus amados bebês ao Divino foi importante e libertador! Porque em situações de risco como essa, não temos outra saída a não ser confiar!
De uma forma inconsciente, talvez acessando uma sabedoria que fica guardada em outro plano, ou como dizia Platão, talvez fazendo um download de um conhecimento que antes estava no mundo das ideias, este processo de resgatar o que senti, como me comportei nesse episódio da minha vida, para trazer a mesma sensação para o agora, é o mecanismo que trabalho na sessão Coragem do meu processo de mentoria! Um mecanismo que eu só viria a conhecer anos depois!
O processo de entrega ao Divino, a algo maior, chame você de Deus, Universo, Natureza, fato é que, existe uma força maior controlando tudo! Você há de concordar comigo que não existe um ser humano apertando um play para que o dia se transforme em noite, ou para que o seu corpo faça a digestão do que comeu horas atrás, para que o seu coração bata, para que você respire!
Mas há uma inteligência que comanda tudo! Houve um play para que eu entrasse em trabalho de parto, para que meu corpo dilatar, houve uma organização para que dois bebês se ajeitassem dentro da minha barriga de uma forma que fosse possível nascer! Essa entrega a uma sabedoria superior, é o que trabalhamos na sessão de Espiritualidade da mentoria!
Confiar e viver um dia por vez, agradecendo a cada etapa vencida. Resgatar experiências anteriores que nós já vivemos, não o guru que você conheceu no ano passado, nem aquela pessoa que você admira, resgate experiências SUAS, eu tenho certeza que existem!
Coragem e espiritualidade! Aprenda a acessá-las, porque essa é uma verdadeira fonte de poder! Me conte nos comentários abaixo como foi o seu parto.