Sou mesmo assim??

Se você já leu algo sobre a primeira infância, provavelmente viu que a personalidade da criança se forma ali. Naqueles primeiros 6 anos! Eu já tinha lido e ouvido falar disso muitas vezes, mas nunca tinha parado para pensar no meu próprio caso.

Por algum ou alguns motivos, que ainda não descobri quais são, foi formado em mim um pensamento muito forte de que eu valorizava a segurança, de que eu era avessa a correr riscos. E por muitos anos eu acreditei nisso como sendo um traço forte da minha personalidade. Não me considerava uma pessoa corajosa.

Foi nos momentos mais “selvagens” e primitivos da minha vida que eu vi, ou melhor, que eu senti, que existia sim muita coragem em mim. Estou falando de parto, amamentação, gravidez.

Se você está grávida do seu primeiro baby, não se assuste com o “selvagem” que usei, é lindo sim, é mágico, sublime, encantador! Só me refiro ao fato de que realmente tem muito instinto envolvido, muita essência. É um momento de “mundo animal” na vida de toda mulher que decide ter um filho. Porque no parto não nasce só um bebê, nasce também uma mãe (slogan de shampoo infantil, eu sei, mas é verdade!)

E como a gente se transforma! Como a gente deixa questões internas, muitas vezes escondidas lá no fundo virem à tona nesse momento. É um momento que todo orgulho, ou aprovação externa cedem a vez para a proteção da cria, sobre o que no seu ponto de vista é melhor para o seu filho. A gente assume uma face leoa mesmo, quer o mundo lá fora goste, ou não.

E sabe, quero compartilhar com vocês que para mim, deixar tudo isso vir à tona, foi muito transformador. Mais até do que deixar vir à tona, olhar para isso, voltar anos depois e pensar em como agi, em como me senti em como conduzi os meus partos, os meus puerpérios, me ensinaram muito sobre mim mesma.

Foram reflexões assim: como posso não me sentir corajosa se eu levei uma gravidez gemelar até 38 semanas e trouxe esses 2 seres humanos ao mundo de parto normal, mesmo ouvindo até de profissionais da saúde que era extremamente arriscado.

Como posso achar que não sigo meus instintos se esses mesmos bebês saíram da maternidade com prescrição de fórmula e ao chegar em casa eu conseguir amamentá-los só no peito até os 6 meses de idade.

Parênteses importante aqui: o parágrafo acima não é uma defesa do parto normal a qualquer custo e muito menos da amamentação no peito a qualquer custo. Eu tive um acompanhamento médico importante nas duas situações que me deram respaldo para seguir assim. E eu teria vivido uma história diferente sem peso na consciência se eu ou meus bebês estivessem em risco. O olhar que quero trazer é o de não deixar de tentar só por medo, de não se basear em estatísticas e literaturas de forma cega, sem dar nenhum ouvido aos seus próprios instintos, à sua própria história.

Voltando, tudo isso que resolvi trazer à tona, provocou mudanças profundas em minha vida. Provocou uma transição de carreira. Me trouxe uma força, uma fé de que sim, eu conseguia!

Eu conseguia me libertar de um trabalho que já não me preenchia plenamente e buscaria outra forma de obter recursos, uma forma mais flexível que me permitisse viver a infância dos meus filhos. Eu conseguiria mudar a vida se fosse preciso, para fazê-la caber no novo orçamento, se isso fosse pré-requisito para uma criação com conexão, com profundidade.

E aqui, queria deixar para você uma grande reflexão. Olhe para os sentimentos, para a força, para a forma que você agiu em períodos grandiosos da sua vida. E se fizer sentido, traga esses sentimentos, pensamentos e ações para a sua vida depois, mostre para o mundo a sua nova versão. Eu te asseguro, pode valer muito a pena.

Ao mesmo tempo, preciso te contar que não é um processo rápido, sabe, não há passe de mágica! É um processo, existem diversas camadas a descascar! Eu não me dei conta de que precisava de uma transição de carreira da noite para o dia!

Foi preciso abrir espaço para sentir um desconforto, que se apresentou nos momentos mais inesperados, como momentos de preparar mamadeiras por exemplo! (Há um texto aqui mesmo no blog, na sessão dos perfis no cotidiano, que conta essa história)

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Uma grande fonte de poder para perfis inseguros